Biogram 551 : Su Su
*do livro Hoje é Anjo Yagé
Hackatom
florindo jantas esquecidas
nos corações da fome
unindo famílias desunidas
em noites de motorhomes
preencho o peito de poucos
invado a vida de muitos
como um vírus leve e silente
que verte símbolos
pelas linhas férreas de uma vasta internet esquecida
um tal hacker Leonardo
desvenda fibonaccis entre os solstícios do Capital
e libera lágrimas espessas em forma de códigos cálidos
em genital
armadilhas em Latitudes impossíveis
entre tribos tímidas da savana do sereno digital
um prodígio salva o mundo
mas desperdiça a sua saliva
na tradição de um cachimbo de veneno
que mata toda vida
e esse gênio
que seria eu
ou mesmo você
às invertidas
morre num átimo
junto a humanidade inteira
por um só átomo de besteira
Atenção Plena
cabeça vazia oficina de Deus
te mentiram meu amigo, te ocuparam as mãos
para que teu coração parasse de bombear
o óbvio
pois o óbvio é perigoso
e te deram telas
para muito além dos carnavais
e congelaram os dedos dos teus sonhos
e os nutrientes dos teus filhos
para que os deles
corações também
parassem de bombear
o óbvio
chamaram teu penso de oficina
e ao vazio, tua medicina,
deram o nome de um demônio
pois digo eu meu caro amigo:
a paz é o óbvio do ovo
o silêncio é o teu sono majestoso
a chave última
desta prisão perpétua
que virou a tua vida
quando a tua vida virou
as costas
para o óbvio
de novo