O Amor como base Política.

O Amor como base Política.

Esta semana uma discussão inusitada tomou as redes sociais. O governo interino que assumiu o comando do país pelos próximos 6 meses lançou sua logo-marca e lá consta um símbolo que fora usado no período inicial da ditadura militar — a bandeira nacional com 22 estrelas. Coincidências à parte, talvez esta sincronicidade esteja a nos mostrar o quanto todo esse incêndio político está nos fazendo olhar para o que já é passado e deixar de fitar o horizonte do futuro.

"Ordem e Progresso" é o lema institucional deste “novo governo”. Achei que o momento seria oportuno para pensarmos naquela parte do lema de nosso país que ficou de fora: o Amor. Por isso, mais uma vez, relembro: “Devolvam o Amor” à bandeira de nosso país e às bandeiras de nossas causas.

Peço aqui desculpas por em momento tão “duro” de nossa história nacional voltar a este assunto tão “soft”. Mas este é o meu papel, trazer um pouco de filosofia prática para alimentar a esperança neste momento turvo. Afinal, sejamos PMDBistas, PSDBistas, PTistas ou antipartidaristas, todos queremos uma certa Ordem em nossas vidas e também algum Progresso, não é mesmo? Mas qual é o nosso princípio? De que ponto partimos? Qual deve ser o primeiro passo de nossa jornada? Quando o princípio está escondido, qualquer barbaridade pode ser justificada — Mentira, Ordem e Progresso? Ódio, Ordem e Progresso? Corrupção, Ordem e Progresso? Ganância, Ordem e Progresso? É difícil qualquer tipo de evolução autêntica e duradoura quando não conhecemos os nossos princípios, quando não sabemos no que acreditar para dar nosso primeiro e decisivo passo em direção aos nossos objetivos. Mais uma vez, no princípio de nossa história nacional Comte, grande pensador que o era — e isso não me define como um positivista, mas apenas como um admirador daqueles que gostam de pensar — nos deixou uma pista:

O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim.”

O Sonho Brasileiro

Mesmo com a resposta já ressoando na frase acima, pergunto — o que, de fato, é fundamental para a nossa vida? Ou melhor — o que de fato é fundamental para a vida humana? Muito pensamos sobre isso, cinco anos para sermos mais exato. Começou como uma pergunta, evoluiu para uma pesquisa aberta — O Sonho Brasileiro — e agora se tornou uma resposta clara e simples — jamais simplista.

Video do Projeto da BOX1824 realizado em 2011 “O Sonho Brasileiro” — relembrando um outro momento e um outro Brasil. A geração retratada por este estudo está ainda distante do poder, mas a cada ano, mais próximo de sua potência.

Hoje, como pensador cultural, depois deste e muitos outros estudos tenho claro que a essência do “Sonho Americano” é uma: a Liberdade e a essência do “Sonho Brasileiro” é outra: o Amor. Este, no entanto, é tópico para outro artigo e muitos outros ensaios e teses. Deixo essa defesa para o futuro. Por ora, voltemos ao Amor em si e ao que se propões este ensaio.

Amor. A resposta para nossas buscas parece um clichê, mas estou mais do que satisfeito com seu potencial e, estudando com mais atenção, estou bastante contente com sua importância histórica. O Amor mereceu a atenção de boa parte dos grandes pensadores deste mundo e de grandes artistas e, agora, porque não mereceria a nossa atenção? Platão, Aristóteles, Shakespeare, Nietzsche ou mesmo um carismático agitador que ficou conhecido como Jesus de Nazaré falaram bastante sobre esse clichê e depois disso tudo, para minha surpresa, encontrei o clichê nas origens da bandeira de nosso país. Meu maior desejo hoje como cidadão global e brasileiro é ver a tal resposta estampada no centro do maior símbolo de nossa nação. Esse é o pedido que, como cidadão, faço novamente (e quantas vezes forem necessárias) aos nossos governantes do futuro (não aos do passado) e faço a você, meu co-cidadão: gostaria de ver a palavra Amor estampada na bandeira de nosso país!

Este é um direito nosso e de todas as pessoas que virão depois de nós por estas terras — ver a palavra Amor estampada na bandeira deste país. Pense nas crianças que crescerão olhando e se perguntando de forma simples e espontânea: o que é o Amor? Pense em nossas aulas de civismo e civilidade levantando o tópico do Amor como direito e dever dos cidadãos? Pense em nossas vozes cantando o hino inteiro de nosso país em estádios ao fitar com olhos marejados uma bandeira que estampa a palavra Amor tremulando ao vento. Quais as consequencias disso? Não sei, mas quero provar.

Um país se faz além da política. Um grupo se constrói além de acordos. É preciso de um grande coração meus amigos, é preciso muito Amor para se construir uma Família Positiva de verdade. Mas para que tocar em um sentimento tão antigo e polêmico? Ainda mais em um momento tão conturbado e incerto como o que vivemos? Porque reforçar uma palavra que tanto já foi distorcida? Porque assumir algo tão subjetivo e distante de nossa dura realidade nacional? Porque é justamente nos momentos de crise como essa que precisamos voltar aos valores essenciais da humanidade e entender qual foi a falha nestes valores que nos trouxe para a posição que chegamos até aqui.

 

Devolvam o Amor

O Amor é a base de tudo que é valioso na vida humana. O Amor é um princípio soberano que precisa ser melhor compreendido afim de ser verdadeiramente vivido. Aprendemos a falar sobre a palavra Amor sem saber nem de perto do que se trata. Aprendemos a lê-la sem ter nem o vislumbre do que significa. Ela se tornou a água inodora e insípida que esquecemos de tomar por não ter a intensidade dos refrigerantes de nossos mercados.

Apesar disso tudo, tenho a convicção de que nasci, assim como muitos de meus contemporâneos e conterrâneos, para resgatar o Amor. Muitos de nós nascemos para que ele tenha o seu espaço em nosso tempo e também mais tempo em nossos espaços. Àqueles que pensam que o Amor é assunto sonhador demais para se tornar pauta, tenho pena de suas ambições áridas e sua falta de vocação ao sonho. Para aqueles que já entendem que o Amor é a leveza e a destreza que dão cor a todos os nossos atos — do mais simples ao mais magnânimo — meu contentamento e alegria! A batalha que temos em nossa frente não é simples e a miga que alimenta o corpo do soldado é Ele, o Amor. Por isso o brado da nossa última e definitiva batalha, dure ela 10 ou 1000 anos, é essa:

Devolvam o Amor!

Este texto foi originalmente publicado no Medium do Autor

O dia em que respirei.

O dia em que respirei.

Como aprendi a meditar espontaneamente inspirado pelo tédio da adolescência, dois pulmões e uma palmeira bailarina.

Eu tinha 17 anos quando algo incrível me aconteceu. Eu estava voltando da escola em uma tarde qualquer. Andava um pouco triste pois estava sob as condições climáticas de um quarto ou quinto amor platônico não correspondido e, além disso, tinha me dado mal numa prova de matemática que acabara de receber pela manhã. Era o último dia de provas do colégio e agora, na primeira nota que recebia, tinha me dado mal. Seria o prenúncio de um ano ruim? Sei lá, estava exausto. Lembro bem daquele melancólico dia ventoso.

Chegando em casa, onde morava com meus pais e meus irmãos, procurei alguma coisa na geladeira para relaxar a mandíbula. Nada. Preferi tomar um copo de água. Fui para o meu quarto, joguei minha mochila no chão, como costumava fazer, e sentei em minha cama. Estava cansado, mas meu corpo estava bem. Acho que era apenas minha cabeça. Fiquei ali, sem sono, olhando pela janela.

Lá longe, a última coisa que conseguia ver por sobre os telhados de meus vizinhos era uma longínqua palmeira. Ela balançava com preguiça, toda escabelada. Parecia ventar forte, você via na inclinação de seu movimento. Mas do conforto do meu quarto eu enxergava aquela palmeira dançando suave. De um lado para o outro, vagarosamente, quase em câmera lenta. Ela balançava da esquerda e para a direita. Da direita para a esquerda. De novo e de novo. Estava quase hipnotizado, quando tive uma das melhores ideias de minha vida. Não sei porque, resolvi sincronizar a minha respiração com o pendular da palmeira.

Como em uma brincadeira — dessas que só o imenso tédio da adolescência tem a capacidade de criar — passei a inspirar quando a palmeira envergava à esquerda e a espirar quando ela envergava à direita. Minha respiração acompanhava o movimento exato da planta bailarina. De um lado para o outro. De um lado para o outro. Lentamente. Quando me dei conta, estava com os olhos fechados, mas com minha atenção voltada para algo que eu nunca havia realmente prestado atenção: minha respiração.

Estava agora com a atenção totalmente voltada para o ato de respirar. Percebia o modo como o ar entrava em minhas narinas, como ele descia por minha garganta e se expandia em meu peito e barriga. Sentia o ar entrando um pouco mais gelado e saindo um pouco mais quente. Pensei — brincadeira prazerosa essa, mas vamos ver onde isso pode dar. Querendo ir mais fundo, passei a respirar ainda mais lenta e profundamente. Percebi que a tensão negativa da prova de matemática e da menina que gostava escorriam pelo meu corpo na medida que respirava. Percebi outros desconfortos mais profundos e menos identificáveis escorrendo pelo meu corpo também. Continuei respirando. Continuei derretendo as sensações ruins e os sentimentos negativos que, curiosamente, eu conseguia enxergar no meu corpo só pelo fato de ter ficado sentado em minha cama brincado com meus pulmões.

A alegria misteriosa.

Continuei respirando. Respirando e respirando. Até que em determinado momento, quando já havia há muito me esquecido da matemática, da menina ou da palmeira e mesmo de minha respiração, eu passei a sentir um prazer que parecia surgir de um ponto de dentro de mim. Ele vinha da minha barriga, mas estava muito mais dentro do que o estômago. Ele era pequenino e começou a se alastrar por todo o meu corpo. Era uma espécie de alegria que se expandia com carinho pelo o meu peito, pelos meus braços, por minhas pernas, pescoço, cabeça, têmporas, olhos, boca, tudo. Era alegria mesmo. Pura. E meu corpo formigava. Vinha junto uma vontade de agradecer meus pais e meus irmãos, meus amigos, o pessoal da rua, meus colegas, a professora de matemática, a menina. Enfim, queria levantar correndo daquela cama e abraçar a todos. Quase fiz isso. Mas sabiamente voltei para a minha respiração e controlei a força que surgia de dentro de mim. O prazer incontrolável e a alegria misteriosa que surgia simplesmente pelo fato de eu estar vivo.

Quando retomei a concentração na respiração e não no sentimento lembro que aquela força se transformou em uma brisa sutil dentro de mim. Uma brisa ainda mais alegre e realizada do que o prazer imenso que estava sentindo a segundos atrás. Como era possível? Naquele momento um sorriso interno tomou conta de todos os meus pensamentos, de toda a minha psiquê, de todo o meu ser. Aquele era o sentimento mais completo e incrível que eu havia sentido em toda minha vida. Mais incrível do que tirar 10 em matemática, do que beijar a menina que era apaixonado, do que marcar quatro gols em um jogo. Mais incrível do que um orgasmo de frente para o mar ou do que vencer o campeonato estadual de basquete fazendo uma sexta no último segundo. Entendi naquele momento que tudo o que passamos nessa vida serve para que possamos ter apenas aquela experiência que estava sentindo naquele momento. Esse entendimento me vinha junto com uma alegria cada vez mais completa e realizada. As duas coisas — entendimento e alegria — eram uma coisa só.

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Alguns minutos depois passei a enxergar internamente um grande homem, ele tinha o tamanho de uma montanha ou de um planeta embora estivesse dentro de mim. Ele estava sentado como, de uma forma intuitiva, eu também me encontrava sentado. Na posição de pernas cruzadas. Para mim aquilo chamava “sentar como índio”, mas algum tempo depois descobri que chamava-se posição de lótus. Então pensei, é isso que aqueles budas ou monges que vestem aqueles panos em volta do corpo fazem nas montanhas lá na Ásia. É isso.

Eu tinha certeza e continuava sorrindo sutilmente. Então é por isso que eles tem aquele sorriso pequenininho. Então é isso. É isso então o que as pessoas chamam… com é mesmo? Meditação.

Lembro bem, esse foi meu último pensamento envolto por aquele sentimento maravilhoso que eu tinha descoberto pela primeira vez. Aos poucos, fui voltando daquele êxtase. Não fiquei nem um pouco triste ou mexido por estar voltando, de alguma forma sabia que tinha de ser assim e que assim era melhor. Fui abrindo os olhos. Com tranquilidade e ainda com o leve sorriso nos lábios estiquei o meu braço e peguei o meu caderninho de ideias que estava em cima da escrivaninha ao lado da cama. Anotei as seguintes palavras que resumem o entendimento que tive daquela experiência sublime naquela ventosa tarde:

 

“Assim como os peixes nadam e as aves voam, o homem medita.”

 

 


*se você quiser conhecer uma técnica simples e poderosa de meditação para o seu dia-a-dia dê uma olhada nesse post sobre Mindfulness Response.


Post também publicado em medium.com/@joaocavalcanti

 

Use a crise ao seu favor, aprenda a meditar.

Use a crise ao seu favor, aprenda a meditar.

Mindfulness Response: uma técnica simples e poderosa para se viver bem em tempos de crise.

Eu medito há 15 anos. Nesse tempo descobri alguns atalhos no processo que, pelo menos para mim, fizeram toda a diferença até aqui. Vou explicar aqui um deles em específico que, acho, pode fazer a diferença na sua vida também. Eu comecei a meditar espontaneamente aos 17 anos de idade. Sem treino, mestre ou panfleto. Apenas conectei com a minha respiração e Bingo! — fui arrebatado por uma sensação que nunca havia sentido, que jamais esqueci e que, a partir daí, passei sempre a perseguir. A história de minha auto-iniciação vale a pena ser contada, mas vou deixar isso para outra hora. Agora vou me concentrar no centro da experiência meditativa, ou melhor, no efeito posterior à experiência meditativa — naquela leveza que fica depois de você ter tido alguns minutos de contato profundo com aquilo que, de fato, é chamado meditação.

Meditar é como deixar a janela aberta para que uma hora a brisa entre.

Muitos sentam para meditar, mas poucos meditam. Muitos destes poucos que conseguem meditar sabem que a experiência verdadeiramente meditativa é algo raro, não ocorre todos os dias. É como a brisa que entra pela janela. Não é sempre que ela entra, mas para que ela entre é preciso deixar a janela aberta. Meditar é como deixar a janela aberta — para que um dia a brisa entre. A brisa, nesta caso, é um estado de aceitação tão puro que você passa acessar e simplesmente aceitar as respostas óbvias aos seus questionamentos mais profundos — e passa a compreender grandes porções da vida em si. Na verdade, você se torna a própria compreensão. A brisa é a compreensão silenciosa que a meditação verdadeira entrega ao meditador.

Depois dessa revelação onde a sua própria natureza se apresenta diante dos seus olhos, você se mescla com este estado de leveza e pode senti-lo em atividade muito tempo depois de ter se parado sua meditação. A compreensão e a leveza são, podemos dizer assim, os efeitos colaterais da experiência meditativa autêntica. Meditar diariamente pode mudar o seu modo de ser simplesmente pelo fato de fazer com que esses estados de compreensão e leveza se tornem a base da sua vida. Você pode passar a se sentir realmente centrado — e é este centro que a meditação me ensinou a sempre perseguir.

Mindfulness e o mundo.

Somos humanos, é claro, e pouco entendemos de centro. Estamos mais para bêbados equilibristas do que para santos centrados. Mas precisamos tentar. Vale a pena! Ainda mais em tempos turbulentos como o que vivemos hoje, onde toda a mídia, toda a sociedade e todos os fatos parecem estar comprometidos a nos tirar do centro a nos fazer perder o eixo.

Para entender melhor como chegar neste tão sonhado centro é importante lembrar que existe algo que está totalmente conectado com a esta ideia de centro. Este algo é a atenção. A meditação é uma espécie de exercício definitivo para a nossa atenção. Tanto que muitos cientistas, meditadores e estudiosos tem chamado o estado meditativo de estado de Atenção Plena ou, em inglês, Mindfulness.

Grupo de Estudos de Meditação e Evolução da Consciência com Jon Kabat Zinn em Harvard, Boston

Grupo de Estudos de Meditação e Evolução da Consciência com Jon Kabat Zinn em Harvard, Boston

O termo mindfulness está em voga. O principal defensor do termo e talvez seu maior difusor de todos os tempos é Jon Kabat Zinn, um doutor em medicina de Harvard que tem provado cientificamente há mais de 30 anos os efeitos curativos da meditação — e isso não é pouca coisa. Ele é um dos papas do tema e da relação ciência-espiritualidade como novo estilo de vida. Por este e outros motivos, gosto também de usar o termo mindfulness — e a técnica que tenho a compartilhar a vocês, apesar de absolutamente simples, é chamada de Mindfulness Response. Traduzindo para o português ficamos com algo como: Resposta de Atenção Plena.

Resposta de Atenção Plena ou Meditação Responsiva

A Resposta de Atenção Plena é uma micro-meditação que pode nos ajudar nos momentos de pane — ou seja, naqueles momentos em que somos tomados por uma onda de ansiedade e nem sabemos da onde ela vem. Portanto, quando você sentir algo como um “choque negativo” no seu sistema ou aquela onda de “calor de ansiedade” siga imediatamente os seguintes passos:

1. quando perceber que está sendo invadido por uma onda de ansiedade ou pensamentos truncados tome consciência deste ‘desconforto cognitivo’;
2. pare na hora o que está fazendo e proponha-se a isolar-se por um minuto para entrar em contato com o poder do Silêncio;
3. procure um lugar com mais privacidade e ajeite-se na cadeira, no chão, em pé ou onde estiver e sentir-se mais confortável;
4. mantenha a espinha ereta, a atenção no seu corpo e feche os olhos;
5. coloque a atenção agora na sua respiração;
6. passe a respirar profundamente inalando e exalando o ar vagarosamente;
7. repita isso por 10 vezes com o máximo de atenção possível. Dez respirações profundas e vagarosas são, em média, o equivalente a um minuto;
8. alguns pensamentos podem ocorrer nesse minuto, mas não se preocupe com eles, continue atento à sua respiração e feche o ciclo de 10 respirações;
9. depois deste pequeno ciclo de Atenção Plena você já estará mais tranquilo e os efeitos deste contato com o Silêncio se desdobrarão nos próximos minutos;
10. repita a técnica sempre que sentir uma nova onda de ansiedade e desconforto.

Isso que acabou de ser descrito é uma micro-meditação ou uma Resposta de Atenção Plena. Uma resposta a quê? À uma onda de ansiedade que invadiu a sua cabeça e o seu corpo em determinado instante do dia.

Essa é a chave desta técnica. Sempre que você sentir o mal estar do “calor da ansiedade”, pare imediatamente o que você está fazendo (se isso for possível, claro!) e pratique este minuto de silêncio. Minuto, aliás, que grandes mestres meditadores e mesmo movimentos por uma vida mais equilibrada têm defendido com bastante empenho. Faça isso quantas vezes forem necessárias ao longo do seu dia. Se você for fiel à técnica, quanto mais ansioso você for mais vezes você meditará. Tente ser fiel a este método por 21 dias — que é o tempo que se sabe que é definitivo para a implementação de qualquer novo hábito em nossa vida. Meditar é como se alimentar — é importante para a sua sobrevivência e precisa ser feito todos os dias enquanto você estiver zanzando por este planeta.

Quanto mais ansioso você for mais vezes você meditará.

Eis um paradoxo que tenho observado em minha prática: medito mais em tempos conturbados do que em tempos de paz e tranquilidade. Até porque acho que a mente tende a estar em uma espécie de estado meditativo natural em tempos de tranquilidade. Mas isso aqui é uma daquelas coisas que explica que em tempos de Crise também existe oportunidade. Use a crise ao seu favor, aprenda a meditar.

O Mindfulness Response ou Resposta de Atenção Plena é, dentro de minha experiência pessoal, uma das técnicas mais eficazes para combater os distúrbios do nosso dia-a-dia e nossa ansiedade crescente. Podemos chamá-la também de Meditação Emergencial ou Meditação Responsiva. Dando a ideia de que ela é uma ação em resposta aos nossos picos de ansiedade cotidiana -que aumentam em épocas de incerteza.

Como diz o velho dito, tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo — e para isso, nunca esqueçam do elemento base que faz essa equação poder existir: a respiração! A respiração está no coração de quase todas as técnicas meditativas. Em poucas palavras, ela é o segredo dos grandes meditadores — das tradições antigas aos métodos científicos contemporâneos. Lembre-se a respiração é a chave do Yoga. Use a sua ansiedade e mal-estar como um gatilho para reconectar à leveza e ao bem estar — sempre através da respiração e do Silêncio Criativo.


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Devolvam o Amor.

Devolvam o Amor.

Carta aberta a um povo.

Lao Tsé, o grande sábio chinês, certa vez disse: “mesmo uma grande jornada começa com um pequeno passo”. Acredito que um dos pequenos passos para a transformação do Brasil — e quiçá do mundo — é devolvermos a palavra Amor à bandeira de nosso país.

Em tempos de tanta turbulência como o que vivemos hoje vemos o medo e o ódio tomando as ruas com a velocidade de uma pandemia desenfrada, enquanto, a solução definitiva para os nossos problemas está do lado oposto deste ódio infeccioso. Não tenho dúvidas de que nossas soluções definitivas como humanidade vivem na dimensão da ética do cuidado e e na ética do afeto como defendem pensadores importantes como o colombiano Bernardo Toro ou o brasileiro Leonardo Boff. Assim como muitos pensadores ao redor do mundo que estão se levantando contra a cultura de guerra que alimentamos há muitos séculos. Nós humanos tentamos mudar as coisas a partir do princípio de luta do espírito de conflito da dimensão masculina e bélica da cultura humana. O resultado? A perpetuação dos ódios hereditários, da violação dos direitos humanos e das guerras mortais. Está mais do que na hora de pararmos com todo o modismo machista deste mundo e acreditarmos no Amor, de modo científico.

Devolver a palavra Amor à bandeira do Brasil é um ato político-humanitário sem precedentes e o impacto positivo de uma nação com o tamanho e o porte do Brasil ao colocar a palavra Amor em seu maior símbolo nacional é incomensurável.

A palavra Amor deveria ter estado na bandeira de nosso país desde o princípio. Para aqueles que não sabem, o lema da bandeira brasileira — Ordem e Progresso — vem de uma famosa frase do pensador Augusto Comte, líder do movimento positivista. A frase de onde o lema de nossa bandeira foi tirado costumava ser a seguinte: O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim.”

A palavra Amor foi suprimida quando os dizeres de Comte foram transplantados para a bandeira nacional. Por quê? Não sei. O que sei é que o Amor nunca deveria ter deixado de estar em nossa bandeira — e como cidadão, representando a vontade de muitos, gostaria de exercer meu direito e pedir que esta palavra seja incluída na bandeira de meu país!

Esse é o primeiro passo de uma grande jornada para que um espaço concreto seja aberto e propicie o retorno do Amor em nossas vidas e em nossa sociedade humana. Precisamos começar de algum ponto. Nem que seja de uma bandeira. Regras ou pedidos, planos ou estratégias. Abro mão de tudo isso. Nada de petição, voto ou abaixo assinado. Meu pedido e meu desejo, que acredito ser também o pedido do mundo e o desejo do mundo se traduzem na imagem abaixo somado a esse pedido direto aos governantes e também aos cidadãos deste país: Devolvam o Amor!


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Quatro quadras de beleza e a cegueira masculina.

Quatro quadras de beleza e a cegueira masculina.

Pequeno ensaio aos homens que não as deixam caminhar.

Falta ao homem enxergar a mulher como um ser humano. Parece desesperadora essa frase, mas esse é o ponto de precariedade que chegamos como raça. Ontem estava andando na rua e por umas quatro quadras deu a coincidência d’eu seguir os passos de uma menina linda que rapidamente se deslocava pela cidade. Ela deveria ter uns 16 ou 17 anos, usava uma roupa de verão e seu corpo era realmente bonito. A menina estava enfurnada em seus fones de ouvido e andava num passo muito rápido — era como se soubesse dos riscos que corria naquela travessia.

Foi incrível notar como TODOS os homens por quem ela passou nesse caminho não conseguiam ficar incólumes ao seu movimento. Alguns balançavam a cabeça, outros bufavam, vários comentavam com amigos ao lado e todos eles acompanhavam com olhar de desejo. Era um evento cósmico em plena calçada. Parte destes homens reagiam com certa malícia e outra parte com algum desrespeito. Nestas quatro ou cinco quadras, pelo menos em três momentos diferentes, alguns destes homens mexeram com a menina falando algumas palavras de baixo calão que já conhecemos bem — sorte que ela estava com seus fones de ouvido, ignorando os ventos machistas que balançavam seus cabelos e puxavam sua saia. Quando era necessário parar para atravessar um cruzamento, ela olhava rapidamente para os lados e seguia a passos firmes em suas sandálias arrastadas. Eu, mais comprido do que ela, usando meu tênis de corrida e fazendo meu exercício de caminhada a emparelhava no ritmo, tamanha era a vontade dela de chegar onde quer que ela deveria chegar, sem olhar pro lado e sem querer saber o que se passava a sua volta.

Meu choque foi com a quantidade de assédio, ameno ou pesado, que essa menina sofreu e ignorou em meras quatro quadras. Fico só imaginando a quantidade ao longo de seus 16 ou 17 anos — ou ainda nos anos que virão. Lamento ela ter de tampar os ouvidos e apertar o passo quando caminha na cidade. Mas lamento ainda mais os homens que enxergam a mulher unicamente como um objeto animado que está ali para satisfazer o seu prazer tacanho. Lamento essa crença cultural em todos os níveis em que ela existe e se expressa. De um grito na rua aos charlatões DoYôga. Lamento ela nos outros e lamento ela em qualquer porção ou medida que possa existir em mim. Lamento não apenas por ser bárbaro e medíocre, mas por ser um limitador do que é Real. Essa crença cultural machista é uma cegueira.

Mudança possível? A humanidade da mulher no primeiro plano da consciência masculina.

Mudança possível? A humanidade da mulher no primeiro plano da consciência masculina.

Tive a graça em minha vida de me tornar pai de duas meninas. Elas são as coisas mais lindas desse mundo e os encantos delas, antes de mais nada, estão no fato de serem seres despertando para a vida. Não há nada mais humano e mais lindo do que o despertar da consciência, da inocência e do aprendizado. Ver um bebê aprender a falar é a coisa mais comovente que há. Por ter tido essa experiência duas vezes, fui letrado na arte de observar consciências humanas despertando para a linguagem e para o mundo.

Hoje quando olho para uma mulher, sinto naturalmente que por trás (ou, às vezes, na frente) do meu desejo masculino — pois ele existe e é autêntico — há algo ainda mais verdadeiro e mais profundo: a empatia por um ser que sente, que deseja, que busca ser feliz. Esse presente minhas filhas me deram e junto com ele o amor, a gratidão e o carinho real por todas as mulheres deste mundo. Desejo que todos os homens tenham a oportunidade que eu tive em minha vida. Não a de se tornarem pais necessariamente, mas a de poderem ver mais fundo e encontrar o ser humano e o ser divino que habita cada mulher — e também cada homem. Assim como desejo às mulheres enxergarem a humanidade de cada homem, a fraqueza, medo e inocência ainda existentes no fundo da alma masculina. Somos todos frágeis afinal de contas, de uma fragilidade comovente e que precisa do olhar do outro.

Aprendamos a nos olhar. Pois quando essa consciência estiver guiando nossos desejos e nosso respeito e interesse concretos estiverem guiando nossas relações, podem ter certeza, que nós teremos dado um passo importante em direção à nossa humanidade — e teremos ajudado a humanidade a dar um passo importante em direção a ela mesma. Porque se errar é humano, amar é ainda mais! — e o amor pode ser simples também. Pode ser você olhar uma linda e jovem mulher andando na rua e enxergar antes do seu desejo, o desejo dela, o simples desejo de uma bela criança querendo crescer e caminhar livremente pela cidade.


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